Quando a Verdade padeceu sob Pôncio Pilatos…
Um dos fatos mais pungentes da história da salvação deu-se no Pretório de Jerusalém, no momento em que Cristo encontrou-se com Pilatos. Foi devido a uma acusação tão injusta quanto infame, que o Divino Juiz que um dia virá para julgar os vivos e os mortos, também foi Ele julgado. Entretanto, qual seria o seu crime? Porque foi Ele posto no banco dos réus? Dentre os diversos delitos de que Cristo foi acusado, o mais grave deles consistia em ter-se proclamado rei dos Judeus.
Entretanto, a resposta de Nosso Senhor sobre a origem de sua realeza deixou Pilatos desconsertado: “O meu Reino não é deste mundo”. “És, portanto, rei?” Inquiriu-lhe novamente o Juiz Romano: “Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz”.
Foi então que Pilatos perguntou: “Que é a verdade? E dizendo isso, tornou a ir ter com os judeus…” (Jo, 18, 38).
Ainda que as Escrituras não nos apresentem a resposta de Nosso Senhor, os antigos cristãos souberam ver nesta própria pergunta sobre a verdade, a réplica à interrogação que Pilatos não esperou ouvir a resposta.
Com efeito, na Vulgata encontramos a frase: “O que é a verdade?”, traduzida ao latim por: “Quid est veritas?”. Ao utilizarmos as mesmas letras contidas nesta pergunta é possível formular a resposta de Cristo através de um perfeito anagrama: “Est vir qui adest”, ou seja, “o varão que está diante de vós”.
Com efeito, no Cristianismo a verdade não é uma “que”, mas um “quem”, pois Cristo disse de si mesmo: “Eu sou é o caminho a verdade e a vida”.
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