sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012


A Inveja é Pecado?

São Tomás de AquinoNo artigo II São Tomás pergunta se a inveja é pecado. Nesse artigo torna-se clara a diferença entre a inveja e alguns outros sentimentos semelhantes e que podem não ser pecado, pois muitas vezes a Escritura, bem como alguns santos, nos convidam a imitar ou a “invejar” o próximo.
São Tomás apresenta um exemplo citando o trecho de uma carta de São Jerônimo a uma de suas filhas espirituais: “Tenha companheiras com as quais aprenda, a que inveje e cujos ardores a estimulem” (Suma Teológica II- II q. 36, a. II).
Todavia, sendo a inveja uma certa tristeza causada pelos bens alheios, ela pode sobrevir de quatro modos:
O primeiro deles é a forma de tristeza citada por São Tomás no artigo anterior, que consiste em temer que um inimigo seja exaltado. Essa tristeza pode existir sem que haja pecado, conforme diz São Gregório:
Costuma acontecer muitas vezes que, sem perdemos a caridade, a ruína do inimigo nos alegre, e também que, sem a culpa da inveja, a sua glória nos constriste; porque, quando ele rui, cremos que outros terão o bem de se levantar e, tememos que por sua promoção muitos sejam oprimidos (Suma Teológica II- II q. 36, a. II).
A segunda forma é quando: “Podemos nos entristecer com o bem alheio, não porque outrem possua um bem, mas porque estamos nós privados dele. O que é propriamente o zelo, como diz o Filósofo” (Suma Teológica II- II q. 36, a. II). Essa tristeza consiste no fato de desejarmos um bem que o outro tem, sem entretanto, querermos que o outro deixe de possuí-lo.
São Tomás afirma que: “Se esse zelo for concernente a bens honestos, é louvável, conforme aquilo do Apóstolo: ‘Anelai aos dons espirituais’. Se, porém disser respeito aos bens temporais, pode implicar ou não, o pecado” (Suma Teológica II- II q. 36, a. II).
O terceiro modo citado pelo Angélico é quando alguém se entristece pelo bem do outro pois quem o obtém é indigno. Esse tipo de tristeza não pode recair sobre os bens honestos que em realidade melhoram a quem os recebe. São Tomás, citando Aristóteles, denomina essa tristeza de némese e que tem por objeto os bons costumes. Entretanto, o Aquinate (Suma Teológica II- II q. 36, a. II) nos adverte que:
Os bens temporais, que caem em partilha aos indignos, são assim dispostos pela justa ordenação de Deus, quer para a correção, quer para a danação deles. E tais bens são quase nada em comparação com os futuros, dado aos bons. Por isso, tal tristeza é proibida na Sagrada Escritura, conforme aquilo: Não queiras invejar aos malignos nem invejes aos que obram iniquidades. E noutro lugar: Por pouco se não transtornaram os meus passos, porque tive zelo sobre os iníquos, vendo a paz dos pecadores.
O quarto modo é o que corresponde propriamente à i

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