sábado, 4 de fevereiro de 2012


A Maternidade Divina no Símbolo dos Apóstolos


Desde o inicio do Cristianismo, o mistério do Verbo encarnado é o ponto central nas confissões de fé da Igreja. E apesar de muitos desvios e heresias, sem embargo, os diversos aspectos do mistério e suas implicâncias manifestaram-se cada vez mais claramente.
Todavia, hoje se recita na Santa Missa (confrontar Denziger número 13, na fórmula de Santo Ambrósio)
“Credo in Deum Patrem omnipotentem, et in Jesum Christum, Filium eius unicum, Dominum nostrum, qui natus [est] de Spiritu Sancto ex Maria Virgine”.
madoJesus Cristo é chamado filho único de Deus; entretanto, aqui somente se fala de seu nascimento histórico de Maria Virgem. Entretanto, se fala com duas preposições diversas: “de espiritu Sancto”: Se refere ao principio ativo que fecundou a Maria para a encarnação; “ex Maria Virgine”:indica que Jesus em verdade nasceu do seio de Maria, e imediatamente se agrega que neste parto, Maria permaneceu Virgem.
f) O Credo Niceno-constantinopolitano.
O Concilio de Nicéia (no ano 325) havia sido convocado para responder ao desafio de arianismo. Segundo Ario, o Filho era uma criatura de Deus, e, portanto não era Deus. Eis aqui a formula de Fé de Nicéia “Creio… em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, engendrado de Deus como filho único da substância do Pai, Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, consubstancial ao Pai” (Denziger 125).
Se utiliza aqui o famoso termo “consubstantialis” (oJmouÀsion) e se afirma a Divindade do Filho excluindo que fosse uma criatura.
No ano 381, no primeiro Concílio de Constantinopla se retomou a fórmula do Símbolo Apostólico, porém com uma ligeira mudança: “et incarnatus (sarkoqe, nta) est de Spiritu Sancto et ex Maria Virgine, et homo factus est (ejnanqrwpou, santa)” (Denziger 150).
Repete-se o verbo para indicar a encarnação: “incarnatus est” se agrega “homo factus est”, e se mantém o “ex Maria Virgine” para o nascimento.
Entretanto foi no concilio de Éfeso que se condenou a Nestório, Patriarca de Constantinopla. Nestório sustentava a completa separação das naturezas em Cristo, a Divina e a Humana. Portanto, ele se negava chamar a Maria “Mãe de Deus”. Assim dizia Nestório aos bispos: “Se vós chamais a Maria Mãe de Deus fazeis dela uma deusa”
No mundo cristão, foi no Egito, a partir de Orígenes, que o termo qeotovkoj foi aplicado a Maria por primeira vez. Cirilo de Alexandria, que presidia o concílio de Éfeso, explicou que o termo qeotovkoj dado a Maria, implicava de modo indissolúvel também a idéia de sua virgindade. Eis aqui o Texto:
“(O homem) Jesus, antes da união de Deus com ele (Com a humanidade de Jesus na encarnação) não era um simples homem senão o mesmo Verbo. Vindo a Virgem santa com a encarnação, tomou seu templo da substância da Virgem. Com o parto dela. Ele se manifestou enquanto homem segundo se acreditou exteriormente. Entretanto existia como verdadeiro Deus. Portanto, também depois do parto, Ele conservou a virgindade daquela mulher que o havia dado à luz; isto não sucedeu para nenhum outro santo” (CIRILO DE ALEXANDRIA citado por POTTERIE 1998, p.02).
A divina Maternidade é afirmada depois de Éfeso pelo Magistério da Igreja de forma permanente. Lembramos aqui o Concílio de Calcedônia que fez sua a palavra Theotócos e a define, e o segundo Concílio de Constantinopla que dá valor dogmático às cartas de São Cirilo a Nestório com seus anátemas. E também a carta do Papa Leão Magno. A voz da Igreja que canta e defende a Mãe de Deus, não se extinguiu nem se enfraqueceu com o passar dos séculos, ao contrário foi seguindo ressoando cada vez mais firme na voz de seus Papas e Concílios. Desde Éfeso até nossos dias, não houve pontífice que não reafirmou e ensinou a divina Maternidade.
Pio XI celebrou solenemente os 1500 anos do dogma, foi então quando nos deixou o documento “Lux Veritatis” na qual desenvolve com singular eloqüência os acontecimentos que levaram a convocação do Magno Concílio de Éfeso e sua doutrina, a heresia de Nestório, sua condenação, a autoridade da Sé apostólica, a doutrina da união hipostática – Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem- culminando com a proclamação da mais resplandecente glória de Maria: Sua maternidade Divina.
“Proclamamos a Divina Maternidade da Virgem Maria, que consiste, como disse São Cirilo, não em que a natureza do Verbo e Sua divindade tenham recebido desde o princípio de seu nascimento da Virgem, senão que nesta nasceu aquele sagrado corpo, dotado de alma racional, ao qual se uniu hipostaticamente o Verbo de Deus; e Por isso, se disse que nasceu segundo a carne. Em verdade, se o filho de Maria é Deus, evidentemente Ela, que o engendrou, deve ser chamada com toda justiça Mãe de Deus. Se a pessoa de Jesus Cristo é uma só e divina, é indubitável que devemos chamar a Maria não somente Mãe de Cristo homem, senão Deipara, ou theotokos, isto é Mãe de Deus” (Pío XI, Encíclica “Lux Veritatis”, 25 de diciembre de 1931, tradução minha)

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