sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012



As primeiras manifestações de inveja…

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Diversos autores afirmam que antes mesmo de a criança ser capaz de formular suas primeiras concepções sobre o mundo, ou ainda, antes de poder balbuciar alguma palavra, nela já se podem manifestar algumas características da inveja.
Verdiani (2006) declara que: “É desde os primeiros contatos que o ser humano tem com o mundo, ainda na fase infantil primária, que já podem ser notados os primeiros sinais desse sentimento”.Assim, Santo Agostinho , no livro das Confissões, já dizia: “Vi e observei um menino invejoso, ainda não falava e olhava lívido, com rosto amargurado ao seu irmãozinho de leite…”.
Para Villalobos (1844, p. 189), a inveja é a primeira paixão que contamina o coração da criança inocente:
Inveja! Inveja! Paixão vil e inimiga da felicidade do homem, quão extenso é o domínio que exerces sobre a vida humana [...] de todas as paixões inferiores que muito logo se apoderam do coração humano, tu éreis acaso a primeira que tendes a contaminar as doces emoções da pura inocência. Apenas saído do berço, a criança inveja já as distinções e carícias prodigalizadas por sua mãe à outra criança e as quais crê que tem o exclusivo direito, e este sentimento ocasiona talvez as primeiras lágrimas que não nascem de um impulso físico…
Da mesma forma, o Mons. João Clá Dias (2005, p. 9), ao tratar dos vícios da ambição e da inveja, recorda a precocidade desses sentimentos: “Se poderia dizer que ela (a ambição) se instala na alma antes mesmo do uso da razão, sendo facilmente discernível no modo de a criança agarrar seu brinquedo ou na ânsia de ser protegida”.
O mesmo autor também afirma que a criança: “Ao tomar consciência de si e das coisas, os impulsos primeiros de seu ser convidá-la-ão a chamar a atenção sobre sua pessoa e, se ela cede, ter-se-á iniciado o processo da ambição. O desejo de ser conhecida e estimada é a primeira paixão que macula a inocência batismal”.
Para o Mons. Clá Dias (2005, p. 9), nesta primeira fase da vida, a concessão à inveja e aos outros vícios poderá acarretar desastrosas consequências: “Quantos de nós não nos lançamos nos abismos da ambição, da inveja e da cobiça já nos primeiros anos de nossa infância? Essas provavelmente foram as raízes dos ressentimentos que tenhamos tido a propósito da glória dos outros”. Em seguida, o autor aclara ainda mais a ideia da precocidade da inveja, fornece alguns exemplos concretos e demonstra contra quem normalmente a inveja se volta:
Há paixões que se mantêm letárgicas até a adolescência, assim não o é a inveja; ela se manifesta já na infância e acompanha o homem até a hora de sua morte. Não será difícil aos pais observar os sinais desse vício, em seus pequenos. Irmãos ou irmãs, entre si, não poucas vezes terão problemas por se imaginarem eclipsados pelas qualidades ou privilégios de seus mais próximos. Quantas vezes não acontece de ser necessário separar-se irmãos, ou irmãs, na tentativa de corrigir essas rivalidades que podem chegar a extremos inimagináveis, tal qual se deu entre os primeiros filhos de Eva, Caim e Abel? A ambição e a inveja são mais universais do que parece à primeira vista; poucos se veem livres de suas garras. Elas se levantam e tomam corpo em relação aos que nos são mais próximos, como afirma São Tomás: A inveja do bem alheio enquanto diminui o nosso. Portanto, somente se suscita a respeito daqueles que se quer igualar ou superar. Isto não sucede em pessoas que diferem muito de nós em tempo, espaço e lugar, senão nas que nos estão próximas

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