sábado, 3 de dezembro de 2011

Uma Mulher revestida de sol – II Parte

Ja vimos um ponto importante da primeira parte deste tema dentro da visão do livro do Apocalipse. Hoje vamos dar continuidade a esta visão espiritual que vai colocar Maria como peça fundamental no plano de salvação do homem.
O segundo cenário do livro do Apocalipse, diz justamente sobre esta intervenção de Deus que então, envia São Miguel Arcanjo juntamente com seus anjos, para combater o Dragão. É um cenário de guerra, há uma batalha terrível no céu e o Dragão juntamente com seu exército foram vencidos por aquele anjo conhecido como “Quem como Deus”. Ap 12,7-10
“Dragão”, a primeira serpente chamada Demônio e Satanás, aquele também conhecido como o sedutor do mundo, foi precipitado na terra juntamente com seus anjos, pois já não havia mais lugar para eles no céu. Ap 12,9/13
Então aqui, nasce o terceiro cenário desse trecho do Apocalipse. Por causa dessa batalha no céu, a terra passou a ser o campo de missão de Satanás, local onde também nós nos encontramos no momento. Uma voz de alerta surge no versículo 12 dizendo: “ó terra e mar, cuidado! Porque o Demônio desceu para vós, cheio de grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta”Ap 12,12
Dá até um frio na barriga só de pensar que estamos imersos em um cenário espiritual de guerra tão terrível assim. Mas é isso mesmo, não dá para enfeitar o pavão diante deste cenário de horror. Apesar de nossa alma residir sobre a carne, matéria própria deste mundo terreno, o nosso espírito permanece em comunhão com o mundo espiritual, lugar onde Deus habita e se comunica conosco. O problema é que, é justamente nesta camada espiritual que o Demônio vive e age.
São Paulo explica direitinho isso na Epístola aos Efésios: “Não é contra o homem de carne e sangue que temos que lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal espalhado nos ares”. Ef 6,10-18
O nosso campo de batalha se passa pelas vias espirituais, por isso, o homem não pode viver sem religião e sem Deus, pois este tipo de inimigo só se pode ser vencido sob a dimensão espiritual onde Deus habita e age.
João Paulo II, quando ainda era Cardeal, certa vez disse: “estamos hoje frente ao maior combate espiritual que a humanidade já viu. Não acho que a comunidade católica tenha compreendido bem isso. É a luta final entre a Igreja e a anti-igreja, contra o evangelho e o anti-evangelho”. João Paulo II tinha razão, não estamos preparados para viver esta realidade de impostura religiosa. Então, não podemos ignorar essa visão espiritual em que estamos inseridos neste mundo, principalmente nos dias de hoje.
O Demônio vendo que não pode fazer nada contra a Mulher revestida de sol, irritado e com descontrolada fúria, declarou guerra contra os descendentes da mulher, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.
É isto mesmo! O fato é que sobrou para nós aqui na terra. Não fomos dispensados deste combate. Ou lutamos e vencemos ou ignoramos e morremos. Mas não há motivo para entrarmos em desespero, não! Maria está conosco, ela vai a nossa frente com seu exército em ordem de batalha. Tratado da verdadeira devoção à SS.ma Virgem, nº 210 de S. Luís de Montfort.
Suas vestes indicam que ela também não esta sozinha. Sua luz já começa a brilhar. É sinal que Cristo Jesus, o nosso general, o sol da justiça está chegando para vencer conosco a última das batalhas e que vai acontecer também com a nossa participação.
O Catecismo da Igreja Católica fala de uma última batalha, e nos convida a estarmos preparados para uma guerra final, onde a “Igreja deverá passar por uma grande provação que abalará a fé de muitos crentes. A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra desvendará o ministério de iniqüidade, sob forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente aos seus problemas, a custa da apostasia da verdade. A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudomessianismo em que o homem se glorifica a si mesmo em lugar de Deus e do seu Messias que veio na carne” Cat nº 675
São Paulo também adverte os cristãos de Tessalonicenses sobre a apostasia da fé, quanto detalha os fatos que precederão a segunda vinda de Cristo. “É preciso que primeiro venha a apostasia e se revele o Homem da impiedade, o Filho da perdição, aquele que se ergue e se insurge contra tudo que se chama deus ou adora, a ponto de se assentar em pessoa no templo de Deus e proclamar-se Deus”. II Ts 2,3
Por tanto, é ilusão acharmos que nosso futuro espiritual sobre esta terra nos promete paz e sossego permanente. Ainda somos uma Igreja militante, que caminha em sentido ao paraíso celestial, mas até lá, devemos estar preparado para o último desafio da nossa fé, que é vencer o ateísmo do Anticristo.
Neste contexto, posso afirmar que a melhor maneira de estarmos preparados e de nos defendermos desta impostura religiosa, é estarmos debaixo do manto da Virgem Maria.
Nós, Católicos, fazemos parte do exército de Maria, desta geração que a proclama bem-aventurada, porque o Senhor fez por meio dela coisas grandiosas, e continua a realizar muitas outras maravilhas. Lc 1,48-49
Nenhuma outra religião pode se declarar fazer parte da geração de Maria, justamente porque a Igreja Católica é a única que a proclama “Maria bem-aventurada entre todas as mulheres”sem medo de estar ofendendo a Deus ou cometendo algum tipo de idolatria.  Também, não se trata aqui uma questão de patriotismo religioso, não! É uma questão de aceitação, de identidade, de assumir Maria como mãe, mãe de Deus e mãe dos filhos de Deus.
É bom recordarmos também, que a Igreja proclamou quatro dogmas relacionada à Virgem Maria, que é um patrimônio da Doutrina da Igreja Católica Romana, sendo o primeiro dogma, proclamado no Concílio de Éfesio, em 431, como sendo Maria a “mãe de Deus”, em grego Theotokos e em latim Mater Dei. O Concílio de Éfeso proclamou que: “se alguém não confessa que o Emmanuel é verdadeiramente Deus, e que por isso a Santíssima Virgem é mãe de Deus, já que engendrou segundo a carne o Verbo de Deus encarnado, seja anátema “(…). Segundo São Tomás de Aquino, “A Santíssima Virgem, por ser mãe de Deus, possui uma dignidade, de certo modo infinita, derivada do bem infinito que é Deus”. Para Santo Atanásio, “é inadmissível supor que a maternidade de Maria seja um relato fictício, pois é certo que Jesus se fez, conforme atesta o Evangelho de São João”.
Nós fazemos parte desta geração que proclama Maria como bem-aventurada, a mãe de Deus, a serva do Senhor, aquela que avança como a aurora anunciado a segunda vinda do Senhor, revestida de Sol, da mesma luz que um dia brilhou em seu ventre em Belém, tendo debaixo dos seus pés em forma de lua, a “terra”, como ela mesma revelou a Santa Catarina de Labouré, na imagem de Nossa Senhora das Graças. Na cabeça ela trás uma coroa de 12 estrelas que representa toda a Igreja a partir dos 12 apóstolos. É essa mulher que qualquer demônio teme quando a encontra no campo de batalha. O seu nome faz arder na boca dos demônios. Eles se contorcem em qualquer balbuciar do nome de Maria.
São Luís Grignion de Montfor dizia que: “Deus concedeu a Maria tão grande poderes sobre os demônios, que, como muitas vezes se viram obrigados a confessar, pela boca dos possessos, infunde-lhes mais temor um só de seus suspiros por uma alma, que as orações de todos os santos; e uma só de suas ameaças, que todos os outros tormentos”. Tratado da verdadeira devoção à SS.ma Virgem, nº 52 de S. Luís de Montfort.
Deus estabeleceu uma indissolúvel inimizade entre Maria e Satanás, entre os que fazem parte da geração dela e os que fazem parte do sistema deste mundo de trevas. Gn 3,14-15
Quando o Santo Padre Bento XVI, fazia sua homenagem ao Imaculado Coração de Maria, em sua oração ele relembra este trecho do livro de Gênesis fazendo a seguinte interrogação: “Eu porei inimizade entre ti e a mulher…”. Nessas misteriosas palavras do Livro do Gênesis não está, porventura, condensada a verdade dramática de toda a história do homem? 8 de Dezembro de 2000
Podemos responder que sim a esta pergunta da Igreja. Tudo converge para isso. Então, eis o motivo pelo qual Maria deve brilhar nos fins dos tempos, sua luz cega os demônios e desmascaram as suas malícias, incidias e ciladas. Ela desvendará sempre as suas tramas de serpente venenosa e desmascarará seus conselhos diabólicos.
Marcelo Pereira

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