sábado, 3 de dezembro de 2011

Uma Mulher revestida de Sol – I Parte

Já tratamos sobre esse aspecto de Maria quando encontramos sinais de prefiguração da sua missão no que diz respeito aos fins dos tempos. Mas, o livro do Cântico dos Cânticos, nos aponta para uma Mulher que avança como aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, temível como um exército em ordem de batalha. Cântico dos Cânticos 6,10 Esta mulher citada pelo Cântico dos Cânticos tem os mesmos traços da mulher do Apocalipse, “uma Mulher revestida de sol”, como é intitulado no capítulo 12 de algumas traduções.
Devo esclarecer já de antemão, que Maria não é o sol que brilha como fonte principal, ela é apenas o reflexo deste sol, eu diria até que, Maria é o espelho pelo qual o sol se reflete. Jesus é o verdadeiro sol, e na medida em que este sol avança Maria também começará a brilhar. João 1,9 Daí vem o título, “uma mulher revestida de sol”, pois de fato, Maria é banhada por esta luz do sol que é Jesus ao ponto de suas vestes se tornarem reluzentes sob o efeito de uma aurora.
A aurora significa aquele intervalo entre o fim da noite e o amanhecer, onde uma leve aurora anuncia a chegada do novo dia como que saudando o imponente sol. Em uma visão mais mística sobre esse texto, podemos dizer que este sinal diz respeito aos fins dos tempos e que justifica o mesmo estar inserido justamente dentro do livro do Apocalipse, considerado o livro da revelação. Tratado da verdadeira devoção à SS.ma Virgem, nº 50 de S. Luís de Montfort.
A palavra apocalipse vem do grego αποκάλυψις, que significa “revelação”. Um “apocalipse” na terminologia do judaísmo e do cristianismo é a revelação divina de coisas que até então permaneciam secretas.
A grande revelação deste trecho do capítulo 12 do livro do Apocalipse, mostra-nos 3 cenários muito importantes para o entendimento deste sinal profético.
O primeiro cenário, João parece retratar a primeira vinda de Cristo quando narra uma mulher grávida, preste a dar a luz, angustiada por se ver em um terrível sofrimento. Isso nos arremete diretamente ao plano de Deus anunciado na profecia do profeta Isaias, em que uma virgem conceberia e daria à luz a uma criança que viria a se chamar Emanuel, que significa, “Deus Conosco” Isaias 7,14. Essa profecia se torna pública com o anuncio do anjo Gabriel narrado no primeiro capítulo do Evangelho de São Lucas. “Não temas Maria, pois obtivesse graça junto à Deus. Eis que engravidarás e dará à luz um filho, e lhe darás o nome de Jesus”. Luc 1,30-31
Nesse primeiro cenário que parece acontecer num campo espiritual, Maria não se encontra sozinha, havia também um grande Dragão vermelho, cuja meta, era abortar o plano de Deus, impedindo à mulher de dar a luz.
O Dragão sabia perfeitamente de que se tratava tal plano. Ele sabia que esta criança o “Emanuel”, Isaías 7,14 viria justamente para destruir todas as obras das trevas e por tanto, o seu próprio reinado. I Jo 3,8 Assim, todo o seu poder infernal caíria por terra.
Neste momento da história, Deus intervém em favor da mulher com seu braço forte, e desta forma surpreendente, impede que o Dragão, “a antiga serpente”, abortasse o plano de Deus em salvar o mundo através de Jesus. Ap 12,1-6
O próprio Isaías narra os interesses de Satanás em combater contra a mulher. O titulo que faz referência à “queda da Babilônia” e o “fim do opressor”, mostra-nos o momento exato em que Satanás deixa de ser anjo de luz e se torna anjo das trevas. “Oh! Vieste a cair do céu Astro brilhante, Filho da Aurora! Foste precipitado por terra, tu que subjugava as nações. Tu dizias: Eu subirei aos céus, altearei o meu trono acima das estrelas de Deus, eu estarei sentado sobre a montanha da assembléia divina no extremo norte, eu subirei ao cume das nuvens, e eu serei como o Altíssimo”. Is 14,12-14
Depois da queda de Satanás, lhes foram atribuídos muitos outros títulos que diz respeito ao seu perfil decaído de transgressor. Mas antes do seu nome ser destituído na ordem dos Querubins de Deus, Satanás era reconhecido como “anjo de luz”. Esta palavra vem do Latim (lucem ferre) que quer dizer: “portador de luz”, representa a estrela da manhã (a estrela matutina), a estrela D’Alva, mas também foi o nome atribuído ao anjo agora decaído, e que se tornou o anjo das trevas, como acabamos de ver no livro do profeta Isaías. Is 14,12-14
Mais adequado ainda é a denominação Lúcifer, que vem do latim, (Lux fero) que quer dizer: portador da luz; em hebraico (heilel ben-shahar) הילל בן שחר. Em grego (heosphoros) que significa “aquele que leva a luz”.
O profeta Ezequiel também atribui uma profecia ao príncipe das trevas, detalhando com mais significados as belas características de Lúcifer antes da queda. “Tu que selavas a perfeição, que estás cheio de sabedoria, perfeito em beleza, estava em Éden, no jardim de Deus, cercado de muros de pedras preciosas; sardônia, topázio e jaspe, crisólogo, berilo e ônix, lazulita, carbúnculo e esmeralda; preparado para ti no dia da tua criação. Era um querubim cintilante, o protetor que eu havia estabelecido; estava sobre a montanha de Deus, ias e vinhas no meio das brasas ardentes. Tua conduta foi perfeita desde o dia da tua criação, até que se descobriu em ti a perversidade”. Ez 28,11-15
Veja, Ezequiel traz detalhes bastante expressivos que revela o quanto Lúcifer era radiante entre os Querubins. Tem quem diga que Lúcifer era até responsável pelo Couro Celestial, organizando assim, os louvores à Deus. Era de uma beleza inigualável, “Tu te orgulhaste de tua beleza, deixaste teu esplendor corromper tua sabedoria” Ez 28, 17 Mas tudo isso se transformou em trevas a partir do momento em que o orgulho tomou conta do seu coração.
Daí entra a profecia de Ezequiel: “viste que te encheste de orgulho, quando disseste: Sou como deus, estou sentado num trono divino no coração dos mares, quando na realidade és homem e não Deus”. Ez 28,2
Esta metamorfose provocada pelo orgulho transformou o mais reluzente dos anjos do céu em um terrível e medonho Dragão. A luz de Lúcifer se apagou completamente e o fogo da justiça de Deus o devorou precipitando-o por terra. Ez 28,18
Este foi o primeiro pecado cometido no céu e na terra, na qual Lúcifer se tornou autor.
Marcelo Pereira

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