segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Entendendo a Inquisição VI: Verdades e Mentiras sobre a “Caça as Bruxas”


bruxas-inquisicao_thumbOlá Querido Leitor. Que a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e o amor de Maria, Mão do Meu Senhor (Lc. 1,43) estejam convosco.
Dando continuidade a nossa série de artigos sobre a Inquisição, vamos procurar elucidar alguns mitos e lendas sobre a inquisição, relativa a temerária “Caça as Bruxas”.
Muitos associam a imagem da inquisição com a queima de bruxas pelas fogueiras. Alguns ainda mais ignorantes atribui esta pratica como iniciada pela inquisição. Bem a esses primeiros, recomendo a leitura do terceiro capítulo do livro do profeta Daniel e veremos que a prática de queimar pessoas vivas como punição de pecados ou de erros contra o estado era muito mais antiga que o próprio advento de Jesus Cristo.
Somente a partir do século XV, a Igreja começou a tratar as bruxas por um outro aspecto, não se preocupando com elas até então. O Concílio da Basiléia (1431-1439), difundiu um novo conceito da bruxaria.
G. Gunzburg fala de crença exagerada na ação do demônio como um fenômeno sociológico que tomou conta do povo, gerando pânico e consequências negativas. A teologia aceitou a crença popular de uma certa forma. Tanto do lado católico quanto do lado protestante, surgiram muitos escritos demonológicos, sendo escritos em grande quantidade até o século XVII.
A teologia sobre este assunto (demonologia) neste ponto era imperfeita. Sejam maléficas ou benéficas, as bruxas sempre atuavam sob o poder do demônio. Aceitava-se que era possível realizar pactos com o diabo para o malefício de outras pessoas, transferência da alma para um corpo de animal e coisas afins, faziam espalhar o pânico sobre o assunto com todas as consequências negativas.
São documentos da época o “Compendium maleficarum”, de Guazzo, 1608, “Ut magorum et maleficarum errores” (1436, Clode Tholosan); “Fornicarius”, do dominicano Johannes Nider (1437) e o manual de Azpilcueta, com 91 edições de 1549 a 1625. Em 1458, Nicholas Jequerius afirmou a existência da seita das bruxas, insistindo que seus poderes não eram fantásticos, mas reais.
Durante o Simpósio Vaticano (1998), Gustav Henningsen disse: “Não foi a Inquisição que iniciou a perseguição às bruxas, mas a justiça civil nos Alpes e na Croácia” (1360-1379)… A legalização à caça das bruxas sucumbiam primeiro os tribunais civis, e depois, pouco a pouco, teve a Igreja que adaptar-se a esta corrente (Atas, SV, p. 576).
Afirmou também que não há envolvimento da Inquisição com as bruxas até o século XV, sendo pura fantasia imaginar que milhares ou milhões de mulheres foram queimadas em fogueiras por toda a Europa. Páramo, inquisidor na Sicília, afirmava que: “não conheço queima de bruxas correspondente e esse tribunal”(Atas, SV, p. 577).
No que se refere à “caça as bruxas”, o historiador Agostino Borromeo, no mesmo Simpósio, afirmou que “os tribunais eclesiásticos foram muito mais brandos e indulgentes do que os tribunais civis”. “ Dos 125.000 processos de sua história, a Inquisição espanhola condenou a morte 59 bruxas. Na Itália foram apenas 36 e em Portugal 4”.
E continuou: “Se somarmos a estes dados, não se chega nem a 100 casos, contra os 50.000 condenados às fogueiras, em sua maioria por tribunais civis, em cerca de 100.000 processos (eclesiásticos e civis) celebrados em toda a Europa durante a Idade Média (1000 anos aprox.!)”.
O manual elaborado pelo dominicano Nicolau Eymeric (injustamente criticado por uma série de TV veiculada a pouco tempo no canal History Channel, sendo até taxado como louco(sic.)), depois de 44 anos de experiência como inquisidor, não fala das bruxas, condenado apenas as mulheres que acreditavam poder voar durante a noite em cortejos a deusa Diana. E inclui o decreto do Papa João XXII (1326) contra diversas formas de culto ao demônio.
O pânico demonológico começou a diminuir na Europa a partir do século XVII. O inquisidor Alonso de Salazar Frias, por exemplo, percorreu a Espanha em 1610, quando a queima de bruxas voltou a ocorrer por influência da França, e realizou uma série de investigações, portando um “Edito da Graça”. Salazar abandonou o aspecto demonológico e começou a investigar cientificamente os casos de bruxaria. Em seu primeiro informe ao inquisidor geral ele disse: “Não houve bruxas até que se começou a tratar com elas”. Assim começaram a deixar de queimar-las na Espanha.
Gustav Henningsen, ainda durante o Simpósio Vaticano de 1998, examinou a relação de processos feita pelo Prof. Richard Kieckhefer e pode averiguar que os processos de bruxaria propriamente ditos foram divididos entre os tribunais civis (64%), tribunais episcopais (17%) e tribunais inquisitoriais (20%). É de notar que a maioria dos processos (64%) fora julgados pelas autoridades civis, estando longe da vista dos tribunais eclesiásticos (episcopais e inquisição). Abaixo, segue uma lista com os números apurados das sentenças por bruxaria, promulgadas pelo tribunal de inquisição, durante toda a Idade Moderna (Séculos XIV até o começo do século XX).
País
Número de Condenações
População
Irlanda21 Milhão
Portugal71 Milhão
Espanha300 (?)8,1 Milhões
Itália1000(?)13,1 Milhões
Holanda2001,5 Milhão
França4000(?)20 Milhões
Inglaterra / Escócia15006,5 Milhões
Hungria8003 Milhões
Finlândia115360 Mil
Bélgica5001,3 Milhão
Islândia2250 mil
Suécia356800 mil
Checoslováquia1000200 mil
Áustria1000200 mil
Dinamarca / Noruega1350970 mil
Alemanha25.00016 milhões
Polônia / Lituânia10.0003,4 milhões
Suíça3001 Milhão
Lichtenstein3003 mil
Estônia / Rússia / Eslovênia264Não disponível
O total de condenações durante 5 séculos é de aproximadamente 48.016. Esse número nos faz chegar as seguintes conclusões:
  1. O número está excessivamente abaixo dos especulados por diversos escritores mal intencionados e vigaristas com Dan Brow e Rosa Maria Muraro em seu infame “Martelo das Bruxas”, onde afirmam que historiadores estimam milhões de mortes por bruxaria impostas pela inquisição.
  2. Na cidade do Rio de Janeiro, apenas em 2010, foram registrados 4.767 homicídios dolosos. Isso é mais que o triplo do número de condenações em 5 séculos que houve, por exemplo, na Inglaterra e na Escócia, sendo a população quase a mesma nos dois casos.
  3. A proporção do impacto populacional das condenações por bruxaria é ínfima se comprarmos com as 100.000.000 mortes atribuídas apenas a China comunista no século XX(considerando uma população de 1,9 Bilhões de chineses). A proporção é 0,081% para a primeira contra 5% da segunda.
  4. Não é possível sequer comprar a perseguição sofrida pelos cristãos nos países muçulmanos, comunistas e hindus com a inquisição. No século XX foram 70 milhões de pessoas que perderam suas vidas apenas por serem cristãos.
Ainda hoje há registros de perseguição a bruxaria. Vejam aqui a matéria publicada pelo site Zenit.org em 27/06/2009.
Ficamos por aqui pessoal. Espero ter auxiliado mais uma vez a todos na elucidação de mais este episódio na história sempre Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Até o próximo Post!! Alegre
Fontes:
AQUINO, Felipe Rinaldo Queiroz de, Para entender a Inquisição; 3ª Edição, Ed. Cléofas, Lorena, SP, 2010 – Páginas 119 a 123

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