segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Adoração e veneração. Qual a diferença?


Padre Rezando diante a Imagem de Cristo ReiOlá caro leitor. Que a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e o amor de Maria, Mãe do meu Senhor (Lc 1,43) estejam com todos vocês.
Vamos falar hoje sobre um assunto que é motivo de muita dúvida entre os católicos e motivo de acusações levianas dos não-católicos, a devoção e o culto dos santos e santas de Deus.
Não por uma ou mais vezes eu ouvi gente dizendo que a Santa Igreja Católica adora imagens. Para estes, normalmente eu faço a seguinte proposição: Se você diz que a Igreja adora imagens, então me explique o que é adorar. Em 100% dos casos até hoje, ninguém soube realmente me dizer o que de fato é adorar. Uns dizem que é se ajoelhar perante a imagem, outros dizem que é pedir a elas algo ao invés de pedir a Deus e por ai a fora. É clara a falta de conhecimento seque do “crime” que se acusa a Igreja de Cristo.
Se adorar é se ajoelhar em frente a algo, então, toda vez que você se ajoelha ao lado da cama do seu filho que está doente para consolar-lo, você o está adorando? Evidente que não. Se adorar for pedir algo para outra pessoa a Deus (intercessão), então pedir a alguém que reze a Deus para que você alcance uma graça é adorar essa pessoa como um Deus? Evidente que não. Ora, então o que é adorar?
Adorar nada mais é do que você prestar um sacrifício a alguém ou a alguma coisa, bem como tornar algo o centro de sua vida, a ponto de todas as outras coisas estarem submissas a esta. Por exemplo:
  • Quando você faz uma oferenda a um espirito do candomblé em troca de algo, você na verdade está substituindo a sua confiança em Deus e depositando nessa entidade, confiando que ele irá fazer a coisa. Isto é adorar.
  • Quando você acha que apenas a Bíblia é a fonte de conhecimento sobre as coisas do céu, ignorando a história e a experiência que Deus concedeu ao longo dos séculos a Igreja, como Ele mesmo prometeu (Jo. 14,12), você está idolatrando a Sagrada Escritura ao invés de idolatrar o seu Autor Divino. Isto é idolatria.
  • Quando você se apega demais a um conhecimento científico, a ponto de não conseguir enxergar nada além daquilo, reduzindo toda realidade meta-física a ao materialismo e ao cientificismo, tornado o conhecimento sua única fonte e guia ideológico e de vida. Isto é Idolatria.
  • Quando você subjuga Deus e a Igreja, para manter uma posição perante os homens por pura vaidade e medo de ficar mal visto pela sociedade, transformando assim o seu ego no único motivo de sua existência e catalizador de seus atos. Isto é Idolatria.
Muitos destes que acusam a igreja de adorar imagens, contrariando o primeiro mandamento do Decálogo, estão na verdade fazendo uma acusação tão absurda que contraria completamente o próprio conceito de adoração e culto a alguém ou algo, conforme vimos acima. Vejamos o que de fato a Igreja diz em seu catecismo sobre o culto a imagens e demais objetos sacros, bem como o culto de adoração a Deus que é completamente diferente:

Culto de Adoração a Deus:


§28 Em sua história, e até os dias de hoje, os homens têm expressado de múltiplas maneiras sua busca de Deus por meio de suas crenças e de seus comportamentos religiosos (orações, sacrifícios, cultos, meditações etc.). Apesar das ambiguidades que podem comportar, estas formas de expressão são tão universais que o homem pode ser chamado de um ser religioso: 
De um só (homem), Deus fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, fixando os tempos anteriormente determinados e os limites de seu hábitat. Tudo isto para que procurassem a divindade e, mesmo se às apalpadelas, se esforçassem por encontrar-la, embora Ele não esteja longe de cada um de nós. Pois nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17,23-28).
§347 A criação está em função do Sábado e portanto do culto e da adoração de Deus. O culto está inscrito na ordem da criação. “Nada se anteponha à obra de Deus”, diz a regra de São Bento, indicando assim a ordem correta das preocupações humanas.
§2083 Jesus resumiu os deveres do homem para com Deus com estas palavras: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento” (Mt 22,37); Estas palavras são um eco imediato do apelo solene: “Escuta; Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único” (Dt 6,4-5).
§2135 “Adorarás o Senhor teu Deus” (Mt 4,10). Adorar a Deus, orar a Ele, oferecer-lhe o culto que lhe é devido, cumprir as promessas e os votos que foram fritos a Ele são os atos da virtude de religião que nascem da obediência ao primeiro mandamento.
§1408 A Celebração Eucarística comporta sempre: a proclamação da Palavra de Deus, a ação de graças a Deus Pai por todos os seus benefícios, sobretudo pelo dom de seu Filho, a consagração do pão e do vinho e a participação no banquete litúrgico pela recepção do Corpo e do Sangue do Senhor. Estes elementos constituem um só e mesmo ato de culto.
§1418 Visto que Cristo mesmo está presente no Sacramento do altar, é preciso honrar-lo com um culto de adoração. “A visita ao Santíssimo Sacramento é uma prova de gratidão, um sinal de amor e um dever de adoração para com Cristo, nosso Senhor.

Culto a Nossa Senhora, aos santos e a imagens e objetos sacros.

§971 “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48): “A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão”. A Santíssima Virgem “é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja. Com efeito desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de ‘Mãe de Deus’, sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os seus perigos e necessidades (…) Este culto (…) embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encanado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas o favorece poderosamente”; este culto encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração mariana, tal como o Santo Rosário, “resumo de todo o Evangelho”.
§2132 O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. De fato, “a hora prestada a uma imagem se dirige ao modelo Original, e “quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está pintada. A honra prestada às santas imagens é uma “veneração respeitosa“, e não uma adoração, que só compete a Deus: 
Oculto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é imagem.

Como podemos ver nos incisos acima, é clara e evidente a diferença em que a Igreja trata o culto de veneração dos santos e santas de Deus em relação ao culto de Adoração do Altíssimo.
A veneração compreende, por tanto, um apreço especial que devemos ter a todos os homens e mulheres que ao longo do tempo, nos serviram de modelos de perfeita devoção e consagração a Deus, deixando para nós experiências de vidas, obras, instituições, documentos e peças de arte de inestimável importância para a construção e sustentação da fé de 2000 anos da Santa Igreja de Deus e da civilização ocidental.
Vemos em Maria Santíssima a congruência e resumo da vontade de Deus para nós enquanto seus servos e filhos. Maria, Mãe de Deus, é especial por sí e por isso, prestamos a ela um culto devocional especial, conforme ela mesma disse (Lc 1, 48-49), porem que não se compara em nada com o Culto de Adoração que a Igreja presta unica e exclusivamente a Deus. Sendo assim, Maria nos é apresentada como uma janela pela qual podemos ver a Cristo Ressuscitado e vivo em Nossas vidas, bem como nossa condutora, junto com a Igreja e os demais santos e santas de Deus, pelo caminho que é Cristo (Jo 14,6) que nos leva diretamente ao pai.
Sejamos conscientes desta realidade prestemos corretamente nosso culto a Deus, adorando-o todos os dias com nossa vida. Farei minhas as palavras do parágrafo abaixo contido no Catecismo da Igreja Católica. Um grande abraço a todos :)
§2031 A vida moral é um culto espiritual. “Oferecemos nossos corpos como hóstia viva, santa e agradável a Deus”, no seio do corpo de Cristo que formamos, e em comunhão com a oferta de sua Eucaristia. Na Liturgia e na celebração dos sacramentos, oração e doutrina se conjugam com a graça de Cristo, para iluminar e alimentar o agir cristão. Como o conjunto da vida cristã, da mesma forma a vida moral encontra sua fonte e seu ponto culminante no sacrifício eucarístico

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