Todos sabemos que a missão antes de ser um "fazer" é um "receber". Se cremos que, como nos ensina o Concilio Vaticano II, "a liturgia é o cume para o qual tende toda a ação da Igreja" (SC10), ou seja, a liturgia é o ponto alto de todo trabalho missionário, também cremos que a mesma liturgia é primordialmente fonte de toda a vida cristã (LG 11), fonte da santificação dos homens e da glorificação de Deus (SC 10), fonte e ápice de toda evangelização (PO 5) e que cada vez que comemos do pão e bebemos do cálice, anunciamos a morte do Senhor até que ele venha (cf. 1Co 11,26). "A missão da Igreja está em continuidade com a de Cristo: 'Como o Pai me enviou, também eu vos envio' (Jo 20,21). Por isso, a Igreja tira força espiritual de que necessita para levar a cabo sua missão da perpetuação do sacrifício da cruz na eucaristia e da comunhão do corpo e sangue de Cristo. Deste modo a eucaristia apresenta-se como fonte e simultaneamente vértice de toda evangelização, porque seu fim é a comunhão dos homens com Cristo e, nele, com o Pai e com o Espírito Santo" (Carta Encíclia de João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, 22). Assim, a comunidade cristã de Antioquia envia seus membros em missão: depois de ter jejuado, rezado e celebrado a Eucaristia, ela faz notar que o Espírito escolheu Paulo e Barnabé para serem enviados (cf. At 13,1-4). Da liturgia, portanto, enquanto irrupção gratuita de Deus, nasce a força e o dinamismo missionário da Igreja, como muito bem intuiu o primeiro documento do Concílio Vaticano II, a Constituição sobre a Sagrada Liturgia em seus parágrafos iniciais. "O Sacrossanto Concilio propõe-se [...] promover tudo o que conduz ao chamamento de todos ao seio da Igreja. Por isso julga ser seu dever cuidar de modo especial da reforma e do incremento da Liturgia".(SC 1) "Por isso, enquanto a Liturgia cada dia edifica em templo santo no Senhor, em tabernáculo de Deus no Espírito aqueles que estão dentro dela [...], ao mesmo tempo admiravelmente lhes robustece as forças para que preguem Cristo. Destarte ela mostra a Igreja aos que estão fora como estandarte erguido diante das nações, sob o qual se congreguem num só corpo os filhos de Deus dispersos, até que haja um só rebanho e um só pastor" (SC 2) A presença pascal de Cristo comporta sempre um duplo aspecto: ao mesmo tempo que é uma boa notícia, também é um envio em missão. Assim o mesmo Cristo que diz aos discípulos, trancados numa casa, com medo: "a paz esteja com vocês", também diz simultaneamente "como o Pai me enviou eu os envio" (Jo 20,21). Os dois aspectos são indivisos. O Ressuscitado se manifesta, mas não é retido. À Madalena pede: "Não me retenhas, [...]. Vai, porém a meus irmãos [...]. Maria foi então anunciar aos discípulos que vira o Senhor, narrando-lhes as coisas que ele lhe tinha dito” (cf. Jo 19,17-18). Aos discípulos de Emaús se tornou invisível, depois de ter-lhes aberto os olhos, fazendo-os voltar para Jerusalém a fim de anunciar que tinham reconhecido o Senhor na fração do pão (Lc 24.33-35). Tal como o anjo que anuncia a ressurreição, a liturgia refere-se sempre a um outro passo: "ide contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos, e que vos precede na Galiléia. Ali o vereis" (Mt 28,7). São Paulo define sua ação missionária de anunciar o Evangelho com verbos litúrgicos, a saber, prestar culto e fazer memória. Esta memória de que fala São Paulo, segundo os exegetas, deve ser colocada na linha da anámnesis litúrgica e significa a memória da obra salvífica de Deus que se faz presente em cada liturgia que celebramos. "Deus, a quem presto um culto espiritual, anunciando o evangelho de seu Filho, é testemunha de que, em minhas orações, faço memória de vós continuamente" (Rm 1,9-10). Outro texto paulino em que a relação entre liturgia e missão aparece de forma muito clara é Rm 15,15-16: "Em alguns trechos desta carta eu vos escrevi com certa ousadia, a fim de vos reavivar a memória, em virtude da graça que Deus me deu: a graça de ser ministro de Jesus Cristo junto aos pagãos, prestando um serviço sacerdotal ao evangelho de Deus, para que os pagãos se tornem uma oferenda bem aceita, santificada no Espírito Santo". Neste texto a vocação missionária é descrita como a graça de ser ministro (= liturgo) de Jesus Cristo entre os pagãos, exercitando o ofício sagrado do evangelho de Deus, para que os pagãos se tornem uma oblação agradável, santificada, pelo Espírito Santo. Como se pode ver, aqui, "a evangelização é função litúrgica, sagrada e, com sua conversão a Cristo, os que se convertem, tornam-se oferta santificada pelo Espírito e aceita a Deus" . Perguntas para os grupos: 1. O que entendemos com a afirmação de que “a missão, antes de ser um ‘fazer’, é um ‘receber’”? 2. Por que a força e o dinamismo missionário da Igreja nasce da Liturgia? Fonte: Dom Manoel João Francisco Bispo de Chapecó |
Em Hebraico Miriam é o Verdadeiro nome de Nossa Senhora que significa riam Deus e Mi muito Amada... a minha boca anunciará sempre o Vosso Louvor em todos os dias da minha Vida.Sou muito Amada por Deus porque posso anunciar as maravilhas que operastes em minha Vida.Na Paz de Cristo e no Amor de Maria !
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
A Liturgia formadora de Missionários de Jesus
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