quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Diferença de Orar e Rezar

Significado de Orar

Orar significa “pronunciar uma fórmula ritual, uma oração, uma defesa em juízo”. Logo, entende-se que os católicos e a igreja católica usa a palavra orar no sentido de oração mental, como por exemplo, a contemplação ou a meditação.

Significado da Palavra Rezar

Ainda segundo a igreja católica Rezar significa “Ler em voz alta e clara”. Logo entende-se que rezar é o mesmo que recitar, o que dá a essa palavra um sentido muito amplo e genérico.

Com os significados entendemos que a diferença é clara, orar é quando fazemos uma prece ou oração de forma mental enquanto rezar nada mais é que a prece entoada em alto e bom som.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Prece

Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte!
 O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu!
 Tu és os nossos corpos e as nossas almas e
 o nosso amor és tu também.
 Onde nada está tu habitas e onde tudo está
 - (o teu templo)
- eis o teu corpo.
Dá-me alma para te servir e alma para te amar.
 Dá-me vista para te ver sempre no céu e
na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar,
 e mãos para trabalhar em teu nome.
Torna-me puro como a água e alto como o céu.
 Que não haja lama nas estradas dos
 meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas
 dos meus propósitos.
 Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e
 servir-te como a um pai.
[...]
Minha vida seja digna da tua presença.
 Meu corpo seja digno da terra, tua cama.
 Minha alma possa aparecer diante de ti como
 um filho que volta ao lar.
Torna-me grande como o Sol, para que
eu te possa adorar em mim;
 e torna-me puro como a lua, para que eu
 te possa rezar em mim;
 e torna-me claro como o dia para que eu
 te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.
 Senhor, protege-me e ampara-me.
 Dá-me que eu me sinta teu.
Senhor, livra-me de mim.
Fernando Pessoa

domingo, 13 de novembro de 2011

Encontraram o menino e sua mãe
Naqueles primeiros dias de vida de Jesus, muitos acorreram à gruta de Belém: pastores e reis, ricos e pobres, gente de lugares e costumes diferentes.  E ali, junto ao Menino, uma figura silenciosa tudo via, tudo guardava, tudo agradecia: Maria, a jovem mãe, que a todos acolhia e com todos partilhava seu maior segredo – o filho de Deus!
Dividida entre os afazeres primeiros de uma mãe e as tantas pessoas que queriam ver o Menino, Maria ainda meditava: o que significava tudo aquilo?  O que Deus estava lhe dizendo através do rumo daqueles acontecimentos? Uma hora chegavam simples pastores; noutra, reis do Oriente. Podemos imaginá-la ora serena, ora assustada. Ora cúmplice de José na descoberta dos desígnios de Deus para aquela família.  Ora apoio do mesmo José quando da difícil decisão de deixar a terra natal para viver no Egito em nome da segurança de seu Filho.  Está, pois, totalmente entregue às maravilhas de Deus, totalmente entregue aos sentimentos da maternidade.  Totalmente entregue a seu Filho e Senhor.
A mãe do Menino soube ouvir profecias e oferecer sacrifícios como mandava a lei de seu povo. A mãe soube ser Mãe da humanidade inteira nos primeiros momentos da vida humana de Jesus: a todos permitiu chegar perto, a todos permitiu também ver as maravilhas.  Intercessora desde o primeiro instante, abriu caminhos, deu acesso.  Deve ter ficado preocupada com o que dar de comer àquela gente toda ou atenta a que não perturbassem o sono do Menino.  Ora mantenedora, ora acariciada pela serenidade do sorriso de uma criança, pelo calor dos animais.  Totalmente mulher, totalmente gente.  Totalmente entregue à humanidade por seu Filho.
Maria, doa-nos a espontaneidade do teu Coração

            A espontaneidade faz parte dos grandes valores da vida que vivificam o coração da pessoa, porque o mantém aberto e dócil à verdade. Isso pode ser verificado claramente nas crianças: quem, mais do que elas, podem nos ensinar a ser espontâneo? Um dom, este, que floresce no terreno da sinceridade!

            Mestres de espírito convergem sobre o fato de que a espontaneidade é a verdadeira essência da oração, porque é aquilo que torna a oração autêntica: livre de hipocrisias e de meias verdades - ou de meias mentiras -, nos apresenta a Deus para “adorá-Lo em espírito e verdade” (Jo 4, 23). Os diálogos entre as pessoas seguem o mesmo itinerário; se faltasse a espontaneidade no diálogo, não existiria uma verdadeira compartilha daquilo que está realmente dentro de nós. Sem a espontaneidade na oração, não poderia existir o "diálogo do coração", a "oração do coração" com Deus; seria como um dia sem sol: cinzento!

            A Virgem Maria nos mostra, com o seu exemplo iluminador, que a espontaneidade é uma constante do seu Coração Imaculado, basta pensar em quando “se dirigiu apressadamente para encontrar Isabel”, imediatamente depois da Anunciação (cfr. Lc 1, 39). Sobre as asas da Caridade e da Verdade, que Cristo seu Filho personifica, Nossa Senhora chega à casa de Isabel e, naquele encontro, marcado pela espontaneidade, acontece a compartilha do maior dom: o Espírito Santo. Isabel e João Batista exultam de alegria e a Virgem proclama o seu magnificat nascido da espontaneidade do seu coração repleto do Amor de Deus.

            Somente às almas humildes o Senhor concede os mais altos e consoladores dons do Seu Espírito: o amor, a alegria, a paz... Somente aos corações que se tornam crianças, o Pai confia o Reino dos Céus. Grande inimigo da espontaneidade é o cálculo humano das “vantagens-desvantagens”, acompanhado do juízo mesquinho e não da sabedoria do coração.

            Para saborear os dons do Espírito, é preciso também colocar de lado todo cálculo interessado; para se tornar amigos da espontaneidade, o Senhor com sua Mãe vêm liberar-nos dos preconceitos que aprisionam o coração e o sufocam. Somente assim seremos mais humanos, porque realmente livres. O Evangelho é um convite contínuo a esta conversão do coração e encoraja todos ao cântico da espontaneidade, típico das pessoas simples e humildes! Quantas profissões de fé, exaltadas pelo Senhor, nasceram de um coração semelhante: aberto à verdade! O Evangelho, seja no seu conteúdo seja no seu estilo, nos revela e nos doa a alegria da Boa Nova que, espontaneamente, dilata o coração sobre as asas da caridade e da verdade.           

            O evangelista Lucas, que hoje festejamos, nos testemunha, também ele, todas essas realidades; basta pensar na infância de Jesus, que abre nos nossos corações panoramas de extraordinária simplicidade, como justamente a narração da Visitação. Os Pais testemunharam, desde o início, que é o Espírito Santo o Autor principal desses sagrados textos evangélicos. Ele se serviu de humildes servidores, que estavam bem distantes de cálculos humanos.

            Por isso, não condiz nem à natureza nem ao conteúdo do Evangelho, uma sua leitura feita com certos preconceitos, com certos cálculos, com certos esquemas pré-confeccionados, como se aqueles que o escreveram não tivessem sido impulsionados pelo Espírito, mas por hipotéticos cálculos para tornar tudo mais interessante! Jesus disse que a ação do Espírito Santo é como o vento: ouve-se a voz, mas não se sabe de onde vem e para onde vai (cfr. Jo 3, 8); assim é de cada um que se faz discípulo deste Espírito à escola de Jesus e de Maria: deixa tudo - mesmo que, como frequentemente acontece, não imediatamente, mas aos poucos - para seguir o Senhor, se tornando sempre mais espontâneo, sempre mais aberto, com o coração livre para ser transportado por Deus para onde Ele quiser.

            Pedimos com insistência a graça da espontaneidade, hoje não pouco ameaçada por uma cultura da vantagem, que o mundo propugna com a espada alçada, desprezando aqueles que, ao invés, se fazem pobres de espírito, realmente últimos, como Jesus e Maria: “Depôs poderosos de seus tronos e a humildes exaltou” (Lc 1, 52).


Fonte: Padre Luciano Alimandi
Como Jesus aprendeu e ensinou a rezar.
     Jesus teve de aprender a rezar dos lábios da sua mãe, Maria, freqüentando a sinagoga e acompanhando as romarias e festas do seu povo. Desde criança, Jesus aprendeu os salmos de memória, como o nosso povo aprende os benditos e demais rezas populares. A oração é muitos mais que gestos ou palavras: transcende as palavras que a exprimem. Além de repetir as orações tradicionais, Jesus aprendeu e ensinou a formular sua própria oração, em poucas palavras: “Quando orardes, não useis de muitas palavras, como fazem os pagãos...” (Mt 6,7). No ambiente humilde e pacato de Nazaré, Jesus aprendeu a rezar com discrição, discípulos: “Quando orares, entra em teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai que está no escondido” (Mt 6,6). Atitude básica, princípio e fundamento da oração, é a humildade. Todo orante é “mendigo de Deus”. A oração nasce no coração humilde. Mais do as práticas externas, têm valor diante de Deus, a atitude interior. É a lição que Jesus nos dá na parábola do fariseu e do publicano: “Pois todo o que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 18,9-14). Junto com a humildade, Jesus nos ensina a rezar com perseverança, em outras duas parábolas exclusivas do terceiro evangelho: O amigo importuno (Lc 11,5-8), a viúva e o juiz iníquo (Lc 18,1-8). A primeira é seguida do convite a dirigir-nos a Deus com confiança: “Pedi e vos será dado; procurai e encontrareis; batei e a porta vos será aberta...Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!” (Lc 11,9-13) Não parece que Jesus rezasse “por obrigação”, como que constrangido por uma lei, que lhe impusesse um penoso dever. Também não impôs aos seus discípulos a norma de rezar, em tais ou tais momentos do dia. Jesus era um judeu praticante, que rezava seguindo as tradições do seu povo, mas também um homem livre, que rezava espontaneamente, nas mais diversas ocasiões e lugares. Rezava no Templo de Jerusalém e nas cidades e povoados da Galiléia, nas sinagogas e nos campos... Jesus superou a velha disputa entre samaritanos e judeus, a respeito do lugar mais indicado para realizar o culto: no monte Garizim, como defendiam os samaritanos, ou em Jerusalém. “Mulher, acredita-me: vem a hora que nem nesta montanha, nem em Jerusalém adorareis o Pai”. Nele se cumpre a hora que “os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4,21.23). A soberana liberdade de Jesus, diante da oração, não pode ser confundida com o abandono ou o desleixo na prática da mesma. Ao ver as multidões cansadas e abatidas, Jesus, comovido, pediu aos discípulos para rezarem: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!” (Mt 9, 37-38). Jesus ensinou seus discípulos a rezar com uma confiança e intimidade inovadoras, chamando a Deus de Abba (“Pai”, Lc 11,2) Abbinu (“Pai nosso”, Mt 6,9). O Pai-Nosso é a oração do Senhor, por excelência. Incluída no “Sermão da Montanha”, a versão de Mateus (Mt 6,9-13) consta de sete petições, acrescentando duas ao texto básico de Lucas (Lc 11,1-4). Este nos dá o contexto: Jesus estava orando em um certo lugar. Assim, “rezando, Jesus desperta a vontade de rezar nos Apóstolos”. O “segredo” da oração de Jesus consiste em sua permanente e íntima união com Deus, seu Pai. Era pelo Pai que Jesus se deixava possuir nas horas silenciosas da noite ou cedo antes do amanhecer (Mc 1,35; Lc 6,12). Era no Pai que encontrava alento, coragem e a razão de ser de sua vida (Jo 4,34; 5,30.6,38). A oração de Jesus desperta em nós a admiração e o desejo de rezar como ele. Ela atinge o mistério mais profundo da Sua pessoa. Mistério de união íntima com Deus, seu Pai, que Ele ama e de quem se sabe amado. Mistério que nos transcende. Queria o Senhor Jesus nos ajudar a compreender e viver os paradoxos de toda vocação cristã bem vivida: a observância voluntária da Lei de Deus, que nos torna livres; a generosidade de perder a vida por Jesus, como única maneira de salvá-la; as bem-aventuranças da pobreza e da perseguição por causa da justiça; a alegria que consiste em dar, mais do que em receber... Enfim, a experiência de que, para estar sempre alegres, não há coisa melhor do que orar continuamente. O Pai-Nosso: Os sete pedidos. No “Pai-Nosso” os três primeiros pedidos têm por objeto a Glória do Pai: a santificação do Nome, a vinda do Reino e o cumprimento da Vontade divina. Os quatro seguintes apresentam-lhe nossos desejos: esses pedidos concernem à nossa vida para nutri-la ou para curá-la do pecado e se relacionam com nosso combate visando à vitória do Bem sobre o Mal. Ao pedir: “Santificado seja o vosso Nome” entramos no plano de Deus, a santificação de seu Nome – revelado a Moisés, depois em Jesus – por nós e em nós. Bem como em toda nação e em cada ser humano. Com o segundo pedido a Igreja tem em vista principalmente a volta de Cristo e a vinda final do Reino de Deus, rezando também pelo crescimento do Reino de Deus no “hoje” das nossas vidas. No terceiro pedido rezamos ao nosso Pai para que una nossa vontade à do seu Filho, a fim de realizar seu plano de salvação na vida do mundo. No quarto pedido, ao dizer “Dai-nos”, exprimimos, em comunhão com nossos irmãos, nossa confiança filial em nosso Pai do céu. “Pão Nosso” designa o alimento terrestre necessário à subsistência de todos nós e significa também o Pão de Vida: Palavra de Deus e Corpo de Cristo. É recebido no “Hoje” de Deus, como o alimento indispensável, (super)essencial do Banquete do Reino que a Eucaristia antecipa. O quinto pedido implora a misericórdia de Deus para nossas ofensas, misericórdia que só pode penetrar em nosso coração se soubermos perdoar os nossos inimigos, a exemplo e com a ajuda de Cristo. Ao dizer “Não nos deixeis cair em tentação”, pedimos a Deus que não nos permita trilhar o caminho que conduz ao pecado. Este pedido implora o Espírito de discernimento e de fortaleza; solicita a graça da vigilância e a perseverança final. No último pedido, “mas livrai-nos do Mal”, o cristão pede a Deus, com a Igreja, que manifeste a vitória, já alcançada por Cristo, sobre o “Príncipe deste mundo”, sobre Satanás, o anjo que se opõe pessoalmente a Deus e a seu plano de salvação. Pelo “Amém” final exprimimos nosso “fiat” em relação aos sete pedidos: “Que assim seja!”. “Sejam felizes na paz do Senhor da Vida, que nos uniu no Amor, na mesma Família”.
Oração de Nossa Senhora dos Impossíveis
Oração e Novena de Nossa Senhora dos Impossíveis
Ó Santa Mãe de Deus e também nossa Mãe, nós vos veneramos com o sujestivo título de Nossa Senhora dos Impossíveis, porque sois Mãe de Deus - Virgem e Mãe - Imaculada Conceição, privilégios estes que não foram concedidos a nenhuma outra criatura somente a vós.
Ó Virgem Bendita e Bondosa Mãe de Deus e nossa Mãe, humildemente vos pedimos socorrei os que passam fome e os que vivem na miséria, curai os doentes de corpo e de espírito, fortalecei os fracos, consolai os aflitos e pedi pelas vocações sacerdotais e religiosas e transformai as famílias em santuários vivos de fé e caridade no seio da igreja.
Pedi pelo Papa, pelos bispos e por todas as autoridades civis, militares e eclesiásticas, para que governem com justiça e amor.
E, agora, ó Senhora dos Impossíveis olhai para nós que fazemos esta novena e alcançai de Jesus vosso Divino Filho as graças que aqui suplicamos: (aqui pedem-se as graças desejadas).
Rezam-se Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai...
Maria, Mãe de Deus, Rogai por nós.
Maria, Virgem e Mãe, Rogai por nós.
Maria, Concebida sem pecado, Rogai por nós.
Maria, Nossa Senhora dos Impossíveis, Rogai por nós.
Oração de Bento XVI a Nossa Senhora de Loreto
Oração de Bento XVI a Nossa Senhora de Loreto
Santa Maria, Mãe de Deus, nós te saudamos na tua casa.
Aqui, o arcanjo Gabriel te anunciou que deverias tornar-te a Mãe do Redentor; que em ti o Filho eterno do Pai, pela força do Espírito Santo, desejava tornar-se homem.
Aqui, do fundo do teu coração, disseste: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Assim, em ti a Palavra se fez carne (Jo 1,14). Tu te tornaste, então, templo vivo, no qual o Altíssimo habitou corporalmente; te tornaste porta pela qual ele entrou no mundo.
Depois do retorno do Egito, aqui, sob a fiel proteção de São José, viveste junto com Jesus, até a hora de seu batismo no Jordão.
Aqui rezaste com ele as antiqüíssimas orações de Israel, que então se tornavam palavras do Filho voltadas ao Pai; dessa forma nós, utilizando-nos dessas orações, podemos rezar com o Filho e estamos unidos à tua oração, santa Virgem Mãe.
Aqui ambos leram juntos as Sagradas Escrituras e certamente também refletiram as palavras misteriosas do livro do profeta Isaías: “Ele foi transpassado por causa de nossas rebeldias, esmagado por nossos pecados... Sem ordem de prisão e sem sentença, foi detido... O meu servo, o justo, fará que a multidão se torne justa, pois ele mesmo estará carregando o peso dos pecados dela” (Is 53,5.8.11). Pouco depois do nascimento de Jesus, o velho Simeão, no templo de Jerusalém, já te havia dito que uma espada deveria transpassar teu coração (Lc 2,35).
Depois da primeira visita ao templo com Jesus, quando ele tinha doze anos, voltaste para esta casa de Nazaré, e aqui, por muitos anos, experimentaste aquilo que Lucas assim resumiu: “...e era obediente a eles” (Lc 2,51). Tu viste a obediência do Filho de Deus, a humildade daquele que é o Criador do universo e que era chamado por seus contemporâneos de “o carpinteiro” (Mc 6,3).
Santa Mãe do Senhor, ajuda-nos a dizer “sim” à vontade de Deus, também quando não a compreendemos.
Ajuda-nos a confiar em sua bondade, também na hora da escuridão.
Ajuda-nos tornar-nos humildes como era teu Filho e como eras também tu.
Protege nossas famílias, para que sejam lugares de fé e de amor; para que cresça nelas aquela força do bem de que o mundo tem tanto necessidade.
Protege nosso País, para que nele sempre se viva a fé; para que a fé nos dê o amor e a esperança que nos indica a estrada de hoje até o amanhã.
Tu, boa Mãe, socorre-nos na vida e na hora de nossa morte.
Amém.
Nossa Senhora do Divino Amor
O santuário que recebeu Bento XVI
     Ó Maria, Virgem Imaculada, mãe de Deus e nossa, ó Mãe do Divino Amor, a ti elevamos as nossas suplicas esperando alcançar as graças que necessitamos.
     Tu que mereceste a saudação: "Chela de graça", tudo nos podes alcançar. Sim, ó Maria, realmente és cheia de graça, porque o Espirito Santo, teu celestial Esposo, com seu Divino Amor, abriu em ti a sua morada: desde o momento da concepção preservou-te de toda culpa e te conservou Imaculada. De novo retornou a ti no dia da Anunciação, fazendo de ti a Mãe; no dia de Pentecostes, pousou sobre ti com seus sete dons e te fez guardiã e fonte das divinas graças.
     Escuta pois, ó doce Mãe do Divino Amor, as nossas suplicas: concede a paz ao mundo, faz triunfar o teu amor, protege o Papa, reune na unidade perfeita todos os cristãos, ilumina com a luz do Evangelho todos os que ainda não crêem, converte os pecadores, dá-nos a coragem do arrependimento constante e força para vencer as tentações, ilumina a nossa mente para seguirmos sempre o caminho do bem, e finalmente, quando Deus nos chamar abre-nos as portas do céu.
     E enquanto gememos e choramos neste vale de lágrimas, socorre-nos em nossas necessidades e conserva em nós o amor diante dos inevitáveis sofrimentos da vida. Cura ó Mãe das graça as nossas enfermidades. Concede a saùde aos teus devotos, liberta ó Maria, das penas do purgatório os fiéis defuntos, especialmente os que foram recomendados às orações do Santuário e as vítimas das guerras.
     Olha com materna bondade e protege as obras do Divino Amor. E a nós, teus filhos, concede-nos ó doce Mãe louvar-te sempre. Que nosso coração arda sempre do amor de Deus nesta vida para gozar eternamente contigo no céu. Amém.
Oração a Nossa Senhora da Defesa
Nossa Senhora da Defesa, Virgem poderosa, recorro à Vossa proteção contra todos os assaltos do inimigo, pois Vós sois o terror das forças malignas.

Eu seguro no Vosso manto santo e me refugio debaixo dele para estar guardado, seguro, e protegido de todo mal.

Mãe Santíssima, refúgio dos pecadores, Vós recebestes de Deus o poder de esmagar a cabeça da serpente infernal e com a espada levantada, afugentar os demônios que querem acorrentar os filhos de Deus.

Curvado sob o peso dos meus pecados, venho pedir a Vossa proteção, hoje, e em cada dia da minha vida, para que vivendo na luz do Vosso Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, eu possa, depois desta caminhada terrena, entrar na pátria celeste. Amém
.
Nossa Senhora protetora dos nascituros
Ó Senhora nossa Maria Santíssima! Carregados de imperfeições, pecados e vícios, ousamos comparecer diante do Vosso trono de bênçãos. Não vimos aqui para pedir-Vos nem ouro nem prata, nem riqueza alguma. Nem sequer vimos falar de nossas necessidades espirituais. Vimos, tão-somente, para apresentar-Vos a nossa súplica em favor daqueles a quem é negado o direito sagrado de nascer; em favor dos que têm a vida ameaçada por aqueles que a deveriam defender. Senhora, iluminai as mulheres que têm o poder de gerar; mostre-lhes o quanto é maravilhoso ser mãe. Despertai a consciência dos médicos, para que jamais cortem estas flores em botão, sob o falso pretexto de proteção à vida das mães. Ó vencedora das grandes batalhas de Deus, fazei compreender aos homens que não é a fecundidade humana que torna o mundo pequeno, e sim as injustiças e a ambição desenfreada. Ó Senhora Protetora dos Nascituros, fazei valer Vossa onipotência suplicante diante do trono do Divino Salvador, a quem protegeste contra a perseguição de Herodes, fugindo para o Egito. Finalmente Vos pedimos, Senhora: multiplicai os apóstolos da Vida, como as estrelas do céu e as areias das praias, para que os partidários do aborto e as mães e pais indignos deste nome, se sintam confundidos e humilhados. Reconhecendo a sua crueldade, se voltem a Deus, fonte da Vida. Fazei que, quanto antes, seja proclamada a vitória da vida sobre a morte, e o sorriso das crianças seja a alegria de todos os lares. Isso Vos pedimos, por Cristo, Nosso Senhor. Amém
Consagração a Maria: o que é mesmo?
Autor: Monsenhor Atayde Pedro Busanello
Diretor Espiritual da Regia Nossa Senhora da Conceição  
     O profeta Isaías não se cansa de proclamar a Glória de Deus. Uma das maneiras usadas pelo profeta para por em evidência esta Glória infinita de Deus é dizer que Ele é Santo. Em numerosas passagens Isaías fala da santidade de Deus, mas sobretudo em Is. 6,3 os serafins proclamam ininterruptamente que Deus é três vezes Santo. Nesta proclamação está contido talvez o mais significativo e o mais próprio atributo de Deus: sua Santidade. 
      Para falar de maneira correta precisamos reconhecer que só Deus é santo no verdadeiro sentido da palavra. A santidade é uma qualidade que somente é adequada a Deus. Deus é santo por si mesmo, por sua natureza e essência. A santidade é natural a Deus. Os demais seres, e criaturas, sejam pessoas, coisas, ou lugares são santos, ou tornam-se santos ou sagrados na medida que se relacionam com Deus. Tudo aquilo a que chamamos de “santo”, só pode ser assim chamado enquanto recebe a santidade comunicada por Deus.  
     Assim sendo, também Nossa Senhora, a mais santa de todas as mulheres e de todas as criaturas só é santa pela graça e santidade de Deus. Sem dúvida Maria é a mais perfeita participante desta santidade de Deus. Deus a tornou santa, sagrada por uma decisão livre e pessoal. Mas Maria colaborou com a graça recebida e com isso foi crescendo no amor a Deus e na santidade. 
     Também nós, pelo batismo fomos feitos participantes da santidade de Deus. Mas queremos que esta santidade cresça em nós cada vez mais. Por isso fazemos nossa consagração a Maria e com Maria, a mais santa e sagrada criatura nos entregamos a Deus. Consagrar-se a Maria significa entregar-se com Ela ao Deus santo, radicalmente, sem reservas para só a Ele pertencer. Significa querer pertencer a Deus com Maria e da mesma maneira que Maria fez sua entrega e consagração. Dizer: “Sou todo vosso ó minha Rainha e minha Mãe, e tudo quanto tenho a vós pertence” é a mesma coisa que dizer “eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua Palavra”. É dizer sim a Deus. É acolher em nós sua graça. É por-se de acordo com a sua vontade. É aceitar tudo, mesmo a cruz e a morte. Significa como Maria estar com Jesus no Calvário. Significa crer na ressurreição. 
     Consagrar-se a Maria é assumir à própria vocação seguindo o chamado de Deus. É ser santo já neste mundo e nesta vida, sem fugir do mundo. Ao contrário, só é santo quem assume com Deus este mundo que Ele mesmo criou, sem deixar-se sufocar pelas realidades deste mundo, sem escorregar para o materialismo, sem adotar os apelos do poder, do prazer e da acumulação de bens. 
     Consagrar-se a Maria é reconhecer o absoluto de Deus, Colocá-Lo em primeiro lugar, amá-Lo acima de tudo, orientar a própria vida de acordo com seus ensinamentos. Consagrar-se a Maria é assumir o propósito de viver como Ela, dando um sim sempre repetido e renovado ao amor a Deus e ao próximo.


     Salve Maria
Na escola de Maria
Maria praticou a sua fé eucarística.
Se quisermos redescobrir em toda a sua riqueza a relação íntima entre a Igreja e a Eucaristia, não podemos esquecer Maria, Mãe e modelo da Igreja. Na carta apostólica Rosarium Virginis Mariæ, depois de indicar a Virgem Santíssima como Mestra na contemplação do rosto de Cristo, inseri também entre os mistérios da luz a instituição da Eucaristia. 
Com efeito, Maria pode guiar-nos para o Santíssimo Sacramento porque tem uma profunda ligação com ele. À primeira vista, o Evangelho nada diz a tal respeito. A narração da instituição, na noite de Quinta-feira Santa, não fala de Maria. Mas sabe-se que Ela estava presente no meio dos Apóstolos, quando, « unidos pelo mesmo sentimento, se entregavam assiduamente à oração » (At 1, 14), na primeira comunidade que se reuniu depois da Ascensão à espera do Pentecostes. E não podia certamente deixar de estar presente, nas celebrações eucarísticas, no meio dos fiéis da primeira geração cristã, que eram assíduos à « fração do pão » (At 2, 42).
Para além da sua participação no banquete eucarístico, pode-se delinear a relação de Maria com a Eucaristia indiretamente a partir da sua atitude interior. Maria é mulher « eucarística » na totalidade da sua vida.
A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-La também na sua relação com este mistério santíssimo. Mysterium fidei! Se a Eucaristia é um mistério de fé que excede tanto a nossa inteligência que nos obriga ao mais puro abandono à palavra de Deus, ninguém melhor do que Maria pode servir-nos de apoio e guia nesta atitude de abandono. Todas as vezes que repetimos o gesto de Cristo na Última Ceia dando cumprimento ao seu mandato: « Fazei isto em memória de Mim », ao mesmo tempo acolhemos o convite que Maria nos faz para obedecermos a seu Filho sem hesitação: « Fazei o que Ele vos disser » (Jo 2, 5). Com a solicitude materna manifestada nas bodas de Caná, Ela parece dizer-nos: « Não hesiteis, confiai na palavra do meu Filho. Se Ele pôde mudar a água em vinho, também é capaz de fazer do pão e do vinho o seu corpo e sangue, entregando aos crentes, neste mistério, o memorial vivo da sua Páscoa e tornando-se assim “pão de vida” ».
De certo modo, Maria praticou a sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. A Eucaristia, ao mesmo tempo que evoca a paixão e a ressurreição, coloca-se no prolongamento da encarnação. E Maria, na anunciação, concebeu o Filho divino também na realidade física do corpo e do sangue, em certa medida antecipando n'Ela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o corpo e o sangue do Senhor. Existe, pois, uma profunda analogia entre o fiat pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o amem que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor.
A Maria foi-Lhe pedido para acreditar que Aquele que Ela concebia « por obra do Espírito Santo » era o « Filho de Deus » (cf. Lc 1, 30-35). Dando continuidade à fé da Virgem Santa, no mistério eucarístico é-nos pedido para crer que aquele mesmo Jesus, Filho de Deus e Filho de Maria, Se torna presente nos sinais do pão e do vinho com todo o seu ser humano-divino. « Feliz d'Aquela que acreditou » (Lc 1, 45).
Maria antecipou também, no mistério da encarnação, a fé eucarística da Igreja. E, na visitação, quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo Ela serve de « sacrário » – o primeiro « sacrário » da história –, para o Filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, Se presta à adoração de Isabel, como que « irradiando » a sua luz através dos olhos e da voz de Maria. E o olhar extasiado de Maria, quando contemplava o rosto de Cristo recém-nascido e O estreitava nos seus braços, não é porventura o modelo inatingível de amor a que se devem inspirar todas as nossas comunhões eucarísticas?
Ao longo de toda a sua existência ao lado de Cristo, e não apenas no Calvário, Maria viveu a dimensão sacrificial da Eucaristia. Quando levou o menino Jesus ao templo de Jerusalém, « para O apresentar ao Senhor » (Lc 2, 22), ouviu o velho Simeão anunciar que aquele Menino seria « sinal de contradição » e que uma « espada » havia de trespassar também a alma d'Ela (cf. Lc 2, 34-35). Assim foi vaticinado o drama do Filho crucificado e de algum modo prefigurado o « stabat Mater » aos pés da Cruz. Preparando-Se dia a dia para o Calvário, Maria vive uma espécie de « Eucaristia antecipada », dir-se-ia uma « comunhão espiritual » de desejo e oferta, que terá o seu cumprimento na união com o Filho durante a Paixão, e manifestar-se-á depois, no período pós-pascal, na sua participação na celebração eucarística, presidida pelos Apóstolos, como « memorial » da Paixão.
Impossível imaginar os sentimentos de Maria, ao ouvir dos lábios de Pedro, João, Tiago e restantes apóstolos as palavras da Última Ceia: « Isto é o meu corpo que vai ser entregue por vós » (Lc 22, 19). Aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais, era o mesmo corpo concebido no seu ventre! Receber a Eucaristia devia significar para Maria quase acolher de novo no seu ventre aquele coração que batera em uníssono com o d'Ela e reviver o que tinha pessoalmente experimentado junto da Cruz. « Fazei isto em memória de Mim » (Lc 22, 19).
No « memorial » do Calvário, está presente tudo o que Cristo realizou na sua paixão e morte.
Por isso, não pode faltar o que Cristo fez para com sua Mãe em nosso favor. De fato, entrega-Lhe o discípulo predileto e, nele, entrega cada um de nós: « Eis aí o teu filho ». E de igual modo diz a cada um de nós também: « Eis aí a tua mãe » (cf. Jo 19, 26-27). Viver o memorial da morte de Cristo na Eucaristia implica também receber continuamente este dom. Significa levar conosco – a exemplo de João – Aquela que sempre de novo nos é dada como Mãe.
Significa ao mesmo tempo assumir o compromisso de nos conformarmos com Cristo, entrando na escola da Mãe e aceitando a sua companhia. Maria está presente, com a Igreja e como Mãe da Igreja, em cada uma das celebrações eucarísticas. Se Igreja e Eucaristia são um binômio indivisível, o mesmo é preciso afirmar do binômio Maria e Eucaristia. Por isso mesmo, desde a antiguidade é unânime nas Igrejas do Oriente e do Ocidente a recordação de Maria na celebração eucarística. .
Na Eucaristia, a Igreja une-se plenamente a Cristo e ao seu sacrifício, com o mesmo espírito de Maria. Tal verdade pode-se aprofundar relendo o Magnificat em perspectiva eucarística. De fato, como o cântico de Maria, também a Eucaristia é primariamente louvor e ação de graças. Quando exclama: « A minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador », Maria traz no seu ventre Jesus. Louva o Pai « por » Jesus, mas louva-O também « em » Jesus e « com » Jesus. É nisto precisamente que consiste a verdadeira « atitude eucarística ».
Ao mesmo tempo Maria recorda as maravilhas operadas por Deus ao longo da história da salvação, segundo a promessa feita aos nossos pais (cf. Lc 1, 55), anunciando a maravilha mais sublime de todas: a encarnação redentora. Enfim, no Magnificat está presente a tensão escatológica da Eucaristia.
Cada vez que o Filho de Deus Se torna presente entre nós na « pobreza » dos sinais sacramentais, pão e vinho, é lançado no mundo o germe daquela história nova, que verá os poderosos « derrubados dos seus tronos » e « exaltados os humildes » (cf. Lc 1, 52). Maria canta aquele « novo céu » e aquela « nova terra », cuja antecipação e em certa medida a « síntese » programática se encontram na Eucaristia. Se o Magnificat exprime a espiritualidade de Maria, nada melhor do que esta espiritualidade nos pode ajudar a viver o mistério eucarístico. Recebemos o dom da Eucaristia, para que a nossa vida, à semelhança da de Maria, seja toda ela um magnificat!

CONCLUSÃO . « Ave, verum corpus natum de Maria Virgine ». Celebrei há poucos anos as bodas de ouro do meu sacerdócio. Hoje tenho a graça de oferecer à Igreja esta encíclica sobre a Eucaristia, na Quinta-feira Santa do meu vigésimo quinto ano de ministério petrino. Faço-o com o coração cheio de gratidão. Há mais de meio século todos os dias, a começar daquele 2 de Novembro de 1946 quando celebrei a minha Missa Nova na cripta de S. Leonardo na catedral do Wawel, em Cracóvia, os meus olhos concentram-se sobre a hóstia e sobre o cálice onde o tempo e o espaço de certo modo estão « contraídos » e o drama do Gólgota é representado ao vivo, desvendando a sua misteriosa « contemporaneidade ».
Cada dia pôde a minha fé reconhecer no pão e no vinho consagrados aquele Viandante divino que um dia Se pôs a caminho com os dois discípulos de Emaús para abrir-lhes os olhos à luz e o coração à esperança (cf. Lc 24, 13-35). Deixai, meus queridos irmãos e irmãs, que dê com íntima emoção, em companhia e para conforto da vossa fé, o meu testemunho de fé na Eucaristia: « Ave, verum corpus natum de Maria Virgine, / vere passum, immolatum, in cruce pro homine! ». Eis aqui o tesouro da Igreja, o coração do mundo, o penhor da meta pela qual, mesmo inconscientemente, suspira todo o homem. Mistério grande, que nos excede – é certo – e põe a dura prova a capacidade da nossa mente em avançar para além das aparências. Aqui os nossos sentidos falham – « visus, tactus, gustus in te fallitur », diz-se no hino Adoro te devote –; mas basta-nos simplesmente a fé, radicada na palavra de Cristo que nos foi deixada pelos Apóstolos. Como Pedro no fim do discurso eucarístico, segundo o Evangelho de João, deixai que eu repita a Cristo, em nome da Igreja inteira, em nome de cada um de vós: « Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna » (Jo 6, 68). 60. Na aurora deste terceiro milênio, todos nós, filhos da Igreja, somos convidados a progredir com renovado impulso na vida cristã.
Como escrevi na carta apostólica Novo millennio ineunte, « não se trata de inventar um “programa novo”. O programa já existe: é o mesmo de sempre, expresso no Evangelho e na Tradição viva. Concentra-se em última análise, no próprio Cristo, que temos de conhecer, amar, imitar, para n'Ele viver a vida trinitária e com Ele transformar a história até à sua plenitude na Jerusalém celeste ». A concretização deste programa de um renovado impulso na vida cristã passa pela Eucaristia.
Cada esforço de santidade, cada iniciativa para realizar a missão da Igreja, cada aplicação dos planos pastorais deve extrair a força de que necessita do mistério eucarístico e orientar-se para ele como o seu ponto culminante. Na Eucaristia, temos Jesus, o seu sacrifício redentor, a sua ressurreição, temos o dom do Espírito Santo, temos a adoração, a obediência e o amor ao Pai. Se transcurássemos a Eucaristia, como poderíamos dar remédio à nossa indigência? O mistério eucarístico – sacrifício, presença, banquete – não permite reduções nem instrumentalizações; há-de ser vivido na sua integridade, quer na celebração, quer no colóquio íntimo com Jesus acabado de receber na comunhão, quer no período da adoração eucarística fora da Missa.
 Então a Igreja fica solidamente edificada, e exprime-se o que ela é verdadeiramente: una, santa, católica e apostólica; povo, templo e família de Deus; corpo e esposa de Cristo, animada pelo Espírito Santo; sacramento universal de salvação e comunhão hierarquicamente organizada. O caminho que a Igreja percorre nestes primeiros anos do terceiro milênio é também caminho de renovado empenho ecumênico. Os últimos decênios do segundo milênio, com o seu apogeu no Grande Jubileu do ano 2000, impeliram-nos nesta direção, convidando todos os batizados a corresponderem à oração de Jesus « ut unum sint » (Jo 17, 11). É um caminho longo, cheio de obstáculos que superam a capacidade humana; mas temos a Eucaristia e, na sua presença, podemos ouvir no fundo do coração, como que dirigidas a nós, as mesmas palavras que ouviu o profeta Elias: « Levanta-te e come, porque ainda tens um caminho longo a percorrer » (1 Re 19, 7).
O tesouro eucarístico, que o Senhor pôs à nossa disposição, incita-nos para a meta que é a sua plena partilha com todos os irmãos, aos quais estamos unidos pelo mesmo Batismo. Mas para não desperdiçar esse tesouro, é preciso respeitar as exigências que derivam do fato de ele ser sacramento da comunhão na fé e na sucessão apostólica. Dando à Eucaristia todo o realce que merece e procurando com todo o cuidado não atenuar nenhuma das suas dimensões ou exigências, damos provas de estar verdadeiramente conscientes da grandeza deste dom. A isto nos convida uma tradição ininterrupta desde os primeiros séculos, que mostra a comunidade cristã vigilante na defesa deste « tesouro ».
Movida pelo amor, a Igreja preocupa-se em transmitir às sucessivas gerações cristãs a fé e a doutrina sobre o mistério eucarístico, sem perder qualquer fragmento. E não há perigo de exagerar no cuidado que lhe dedicamos, porque, « neste sacramento, se condensa todo o mistério da nossa salvação ».
Meus queridos irmãos e irmãs vamos à escola dos Santos, grandes intérpretes da verdadeira piedade eucarística. Neles, a teologia da Eucaristia adquire todo o brilho duma vivência, « contagia-nos » e, por assim dizer, nos « abrasa ». Ponhamo-nos sobretudo à escuta de Maria Santíssima, porque n'Ela, como em mais ninguém, o mistério eucarístico aparece como o mistério da luz. Olhando-A, conhecemos a força transformadora que possui a Eucaristia. N'Ela, vemos o mundo renovado no amor. Contemplando-A elevada ao Céu em corpo e alma, vemos um pedaço do « novo céu » e da « nova terra » que se hão-de abrir diante dos nossos olhos na segunda vinda de Cristo.
A Eucaristia constitui aqui na terra o seu penhor e, de algum modo, antecipação: « Veni, Domine Iesu » (Ap 22, 20)! Nos sinais humildes do pão e do vinho transubstanciados no seu corpo e sangue, Cristo caminha conosco, como nossa força e nosso viático, e torna-nos testemunhas de esperança para todos. Se a razão experimenta os seus limites diante deste mistério, o coração iluminado pela graça do Espírito Santo intui bem como comportar-se, entranhando-se na adoração e num amor sem limites.
Façamos nossos os sentimentos de S. Tomás de Aquino, máximo teólogo e ao mesmo tempo cantor apaixonado de Jesus eucarístico, e deixemos que o nosso espírito se abra também na esperança à contemplação da meta pela qual suspira o coração, sedento como é de alegria e de paz: « Bone Pastor, panis vere Iesu, notri miserere... ».
« Bom Pastor, pão da verdade, Tende de nós piedade, Conservai-nos na unidade, Extingui nossa orfandade E conduzi-nos ao Pai. Aos mortais dando comida Dais também o pão da vida: Que a família assim nutrida Seja um dia reunida Aos convivas lá do Céu ».
Dado em Roma, junto de S. Pedro, no dia 17 de Abril, Quinta-feira Santa, do ano 2003, vigésimo quinto do meu Pontificado e Ano do Rosário.

IOANNES PAULUS II