APOSTASIA
Por Carlos J. Magliano Neto
“E o pior é, que a este pronunciamento de fé, se acrescentou: ‘qualquer um que doravante duvide ou negue esta doutrina apostatou totalmente da fé católica’. O que significa dizer que, se você se declara católico, precisa acreditar nisso, sob pena de ir para o inferno (ou seria para o purgatório?) por pecado mortal” (págs. 43 e 44)
Cabe aqui apenas uma observação: apostatar quer dizer separar, sair, não fazer mais parte. Aquele que não crê na Assunção saiu da fé católica, assim como quem não crê na divindade de Jesus Cristo também apostatou da fé católica. E isso não significa dizer que este alguém esteja condenado, pois a Igreja não é juíza da perdição de ninguém. Só o Senhor Jesus é Juiz (cf. Mt 25,31-46).
A MORTE DA CHEIA DE GRAÇA
Por Carlos J. Magliano Neto
“A morte é conseqüência do pecado. Se Maria foi sem pecado, não poderia ter morrido, a não ser que Deus tenha punido um inocente” (pág. 44)
Seu argumento é interessante e certamente nos ajudará a crescer no conhecimento. O Papa João Paulo II é bastante claro na sua reflexão sobre este assunto: “É verdade que na Revelação a morte se apresenta como castigo do pecado. Todavia, o fato de a Igreja proclamar Maria liberta do pecado original por singular privilégio divino não induz a concluir que ela recebeu também a imortalidade corporal. A mãe não é superior ao Filho, que assumiu a morte, dando-lhe novo significado e transformando-a em instrumento de salvação” (L’Osservatore Romano, ed. port. nº 26, 28/06/1997, pág. 12). A Igreja admite a morte de Maria, pois era necessário que a parte mortal fosse retirada para se revestir de imortalidade (cf. 1º Cor 15,53), contudo, prefere usar o termo dormida da Mãe de Deus, por se tratar da passagem de uma vida tão santa. “Qualquer que tenha sido o fato orgânico ou biológico que, sob o aspecto físico, causou a cessação da vida do corpo, pode-se dizer que a passagem desta vida à outra constitui para Maria uma maturação da graça na glória, de tal forma que jamais como nesse caso, a morte pôde ser concebida como uma ‘dormida’” (Papa João Paulo II, L’Osservatore Romano, ed. port. nº 26, 28/06/1997, pág. 12).
O RELICÁRIO DA VIRGEM
Por Carlos J. Magliano Neto
Falando sobre o túmulo de Maria que existe, mas está vazio, o senhor comenta sobre o cuidado que os católicos têm pelas relíquias dizendo:
“Na verdade, pouco importa saber onde ele (Jesus) foi sepultado, considerando que seu corpo não esteve ali por mais de três dias. Mas para os católicos isso é importante. Todos somos conhecedores de como (os católicos) valorizam todo e qualquer tipo de relíquia. Se você não sabia, agora sabe” (pág. 47)
As relíquias, em todos os tempos, sempre foram consideradas objetos sagrados por terem estado em contato com alguma pessoa santa ou por se tratar do corpo de um santo. Com certeza, qualquer um, inclusive um protestante, se sentiria feliz por poder tocar na cruz onde o Cristo se sacrificou por nós; por apreciar a Arca da Aliança com as Tábuas da Lei; passear na barca que os apóstolos usavam; visitar o túmulo dos apóstolos ou então sentar numa cadeira fabricada pelo carpinteiro Jesus. Não é à toa que católicos e protestantes visitam a Terra Santa e também o Vaticano, pois todos, mesmo sem perceber, valorizam essas relíquias, estes pertences ou lugares que serviram aos santos homens de Deus.
A grande graça do católico é saber que participa de uma fé oriunda do tempo apostólico e assim como o povo de Deus no deserto conservou o maná numa vasilha para que as gerações futuras pudessem vê-lo (cf. Ex 16,32-34) e os primeiros cristãos valorizavam até os lenços e aventais usados por Paulo (cf. At 19,12), também os católicos, com muito orgulho, preservam e valorizam todas as relíquias, pois são elas lembranças palpáveis de vidas santas.
PROVAS CIENTÍFICAS
Por Carlos J. Magliano Neto
“...a ciência diz que uma prova científica se dá a partir das repetições das experiências com os mesmos resultados alcançados. Considerando que todos que nasceram há dois mil anos atrás passaram pela morte, e permanecem sepultados até hoje, concluímos que fica provado cientificamente que Maria morreu e permanece sepultada, a não ser que algum católico prove o contrário (...) Jesus foi o único que passou pela morte e venceu. Sendo Deus, a morte não tinha poder sobre ele (1º Cor 15:54-58)” (pág. 47)
Essa prova científica merece uma nova reformulação. Através dela o senhor consegue “provar” não só que Maria não ressuscitou como também que Jesus continua enterrado, afinal, os que nasceram no tempo de Jesus também continuam mortos e enterrados. Já filosofava Aristóteles: “O argumento que prova demais não prova nada”.
A ressurreição de Jesus como a de Maria transcende provas científicas e pensamentos humanos. Prova disto é a incapacidade da ciência explicar o que originou o Sudário de Turim (mortalha que envolveu o Senhor no sepulcro) e o manto do índio Juan Diego onde está estampada misteriosamente a figura de Nossa Senhora de Guadalupe. Há décadas que a ciência se debruça sobre essas duas relíquias e nada consegue explicar delas.
Curiosamente após dizer que só Jesus ressuscitou, o senhor cita 1ª Cor 15,54-58 que justamente encerra o tema da ressurreição dos mortos, onde o autor (São Paulo) no versículo 22 do mesmo capítulo diz: “Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos receberão a vida”. Jesus ressuscitou e venceu a morte: só Ele podia fazer isso. Mas, uma vez isto feito, agora todos, inclusive Maria, podem ressuscitar graças a Jesus.
É certo que nada disso prova a Ressurreição e Assunção de Maria, e não é essa a minha intenção. Minha intenção é apenas demonstrar que não há impedimentos bíblicos sobre as Verdades proclamadas pela Igreja a respeito da Virgem de Nazaré. E também, mesmo que eu quisesse, não teria como provar: são questões de fé. O senhor me pedir provas da Assunção de Maria é o mesmo que alguém te pedir provas da autenticidade da Bíblia. Como faremos para provar que a Bíblia é realmente um livro inspirado por Deus? A prova que tenho da Assunção é a mesma prova que temos da veracidade da Bíblia: o testemunho dos fiéis cristãos em toda a história do cristianismo.
APOCALIPSE DOZE
Por Carlos J. Magliano Neto
Por fim, nas páginas 48, 49, 50 e 51 é feito um longo comentário sobre Apocalipse 12, texto que é citado pela Igreja de Cristo quando fala da Assunção e Glorificação de Nossa Senhora por causa das palavras: “E viu-se um grande sinal no céu: uma Mulher revestida de sol...”. Após analisar versículo por versículo, o senhor conclui dizendo que o texto não fala de Maria, mas
“toda estruturação do texto de Apocalipse 12 aponta para o fato de que a mulher é a nação de Israel” (pág. 51)
Não precisava destinar quatro páginas do seu livro para refletir sobre Apocalipse 12 e chegar a conclusão que a Igreja já chegou há muito tempo: ao escrever este texto João falava sobre o povo santo, a nação de Israel, como também sobre a Igreja Cristã, pois a Besta atacava os seguidores de Cristo (v. 17).
O que acontece é que este texto não é algo real, mas uma “visão”, um mito com o objetivo de esclarecer algo para os cristãos que estavam sendo perseguidos ferozmente por César Nero, o Imperador. Por não se tratar de algo real, as palavras de João tomam uma dimensão maior, e passam para além de apenas um significado.
A gerações cristãs sempre souberam que João falava do povo de Deus, porém perceberam uma semelhança com a figura de Maria. E foi aí, que também destinam este texto para falar de Maria.
Não é de se estranhar essa interpretação mariana do texto se analisarmos três pontos:
1º - O Filho da Mulher é o Messias, o Salvador do Mundo (v.5), o que nos faz lembrar da Mulher que deu à luz a Jesus: Maria.
2º - O termo “Mulher”: o mesmo autor do Apocalipse escreveu no seu Evangelho que por duas vezes Jesus chamou sua Mãe de “Mulher” (Jo 2,4 e 19,26) e em Gálatas 4,4 usa-se o mesmo termo para ela: “Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher”. Sendo assim, o uso do termo Mulher também facilita a lembrança de Maria.
3º - Já comentei o quanto João se baseou nos primeiros capítulos de Gênesis para escrever o seu Evangelho. Agora parece que mais uma vez João os utiliza. A cena muito se parece com Gn 3,15, quando, depois de tentar Eva, a Serpente ouve de Deus: “Colocarei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e os descendentes dela”. As gerações cristãs entenderam desde cedo que aí Deus já prometia o Salvador, e por conseqüência, já falava da sua Mãe, a Mulher da qual Ele iria descender. Veja agora o paralelo: em Ap 12,9 assim está: “Esse Dragão é a antiga Serpente”, perceba que João lembra da cena de Gênesis afirmando que o Dragão é a Serpente que Deus amaldiçoou no início. Ao lembrar da Serpente, João torna fácil a lembrança do ódio posto por Deus entre a Serpente e a Mulher (Gn 3,15 compare com Ap 12,4.13) e da mulher que seria mãe de uma descendência santa (Gn 3,15 compare com Ap 12,17). Todos esses pontos de Gênesis 3 que falam profeticamente de Maria aparecem em Apocalipse 12.
Logicamente que os pormenores, dependendo da interpretação que se dêem a eles, não vão bater com a vida de Maria. No entanto, sabemos que é uma linguagem figurada, simbólica e que se trata de uma realidade de fantasia, porém, com um fim de evangelização. Afirmar que a Igreja só interpreta Apocalipse 12 apontando para Maria é mutilar o estudo bíblico milenar que a Igreja faz sobre a Palavra de Deus.
“Todos estes argumentos e reflexões dos santos padres apóiam-se como em seu maior fundamento nas Sagradas Escrituras. Estas como que põem diante dos olhos a Santa Mãe de Deus profundamente unida a seu divino Filho, participando constantemente de seu destino” (Papa Pio XII, Constituição Apostólica Munificentíssimus Deus).
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